Por que só as grandes empresas conseguem inovar? 12 dicas para ser como elas

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Será que apenas as grandes empresas ou as mais estruturadas conseguem inovar? Será que isso é um mito ou uma verdade? Neste artigo vamos falar sobre ideias inovadoras para empresas.

O tamanho da empresa, sua capacidade de investimento e a estrutura são o que viabiliza a inovação? Será que preciso de processos e adequações, ou apenas lampejos criativos podem gerar ideias inovadoras para as empresas?

Essas questões povoam o inconsciente coletivo dos empresários no Brasil, mas não podem ser consideradas uma verdade absoluta.

Claro, com dinheiro, equipe e estrutura é mais fácil inovar, mas não são esses os requisitos essenciais, como você verá abaixo. Vale lembrar da evolução do movimento das “startups”, que são empresas nascentes, com poucos recursos e grande foco na inovação.

Outras pesquisas confirmam a relevância da inovação nas pequenas e médias empresas, como a 12ª edição da pesquisa “As PMEs que mais crescem no Brasil” realizada em 2017 pela consultoria Deloitte em parceria com a Revista Exame, que descreve a inovação como um ponto crucial para o crescimento, trazendo dados como:

  • Quase 90% das PMEs do ranking lançaram novos produtos e serviços em 2016;
  • Quase 70% das empresas contam com uma equipe dedicada, integral ou parcialmente, para a gestão e o desenvolvimento da inovação.

“A inovação industrial é a mola mestra para estimular o desenvolvimento das atividades econômicas […] Nesse cenário, inovar deve ser a obsessão das empresas brasileiras. Seu sucesso reside, hoje, no processo ‘inovativo’ e nos seus diferenciais competitivos”.

Paulo Afonso Ferreira, vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), durante a abertura do 7º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, em 2017.

 ideias inovadoras para empresas

1) Amplie sua visão sobre inovação e ideias inovadoras para empresas

Mas, afinal, o que é inovação?

Em empresas, explica o especialista Daniel Domeneghetti, CEO da DOM Strategy Partners, é a capacidade sistêmica de melhorar ou modificar padrões estabelecidos na vida das pessoas.

“Melhorar” é adequar ou incrementar.

Enquanto que “modificar” é gerar a ruptura dos modelos de negócios, processos, sistemas de gestão, produtos, serviços, tecnologias, comportamentos, dentre outros”. Seja o que for, ele explica que só é inovação o que gera (ou protege) valor à empresa, seus acionistas e clientes, “ou seja, tem que trazer resultado no mundo real.” ²

“É alguém que tenha a inocência da criança, a audácia do adolescente e a capacidade de realização do homem feito. O novo quando nasce é sonho. É a visão antecipada de um futuro em que só o inovador crê.”

Maestro Villa-Lobos, respondendo sobre o que é o inovador.

Fique atento, pois ideia, invenção e inovação são coisas diferentes. Uma “ideia” é um pensamento, portanto, algo abstrato e intangível. A “invenção” é a conversão da “ideia” em algo concreto, que se torna “inovação” quando é aceita pelo mercado.

Pode haver a “inovação” “incremental” e a “radical”, a primeira representa melhorias feitas no design ou na qualidade, layout de processos ou novos arranjos organizacionais, ao passo que a “inovação radical” inaugura uma nova rota.

Já é um alívio para sua empresa saber que inovação não é apenas algo que não existia isso pode facilitar suas investidas.

Agora, outro aspecto importante, é que a inovação não diz respeito apenas à evoluções ou novos produtos, pode-se considerar também as implementações em:

  • processos,
  • modelo de negócio (uma forma diferente de fazer, entregar ou vender/ganhar dinheiro),
  • mercado (novos segmentos ou novas necessidades),
  • modelo de receita (novo jeito de como a empresa é paga),
  • canal (nova forma de chegar até o consumidor),
  • experiência do cliente (mudar a forma de interagir, de “receber” o cliente),
  • cadeia (mudar a forma de interação com fornecedores).

2) Sua cultura corporativa é importante para inovar

Os pesquisadores Gerard J. Tellis, Jaideep Prabhu e Rajesh Chandy4, depois de estudarem a inovação em 759 empresas de 17 mercados, concluíram que o fator decisivo para conduzir a inovação é a cultura corporativa, uma vez que, de acordo com eles, ela é mais importante que capital, trabalho, governo ou cultura nacional.

As empresas são feitas por pessoas e líderes.

Sabemos que alguns são mais curiosos, mais destemidos, mais inconformados, mais atentos aos clientes e assim, naturalmente, buscam implementações e melhorias que levam às ideias inovadoras para empresas.

Algumas culturas inibem a inovação nas empresas, como medo de errar, pouca abertura a identificar e analisar erros, ausência de postura “market oriented” (para analisar e superar as expectativas dos consumidores e ofertas das concorrentes), ou ainda, a baixa abertura a parcerias e métodos de trabalhos.

Imagine se o empreendedor Thomas Edison, inventor da lâmpada e um dos fundadores da General Eletric (GE), tivesse desistido no primeiro erro, e não tivesse insistido em mais de mil tentativas para chegar à sua maior inovação?

O mundo teria ficado mais tempo no escuro.

“Não ter medo de errar é essencial para desenvolver a inovação. Afinal, ideias inovadoras para empresas preveem um risco, e as pessoas precisam acreditar nisso”, diz Paulo Sérgio Quartiermeister, diretor do Centro de Inovação e Criatividade da ESPM, em entrevista para o Portal Revista Exame.

A cultura corporativa ideal para encampar ideias inovadoras para empresas deve evitar cerceá-las, além de:

  • nunca criticar iniciativas;
  • aceitar erros e fracasso;
  • não pressionar excessivamente por prazos e resultados;
  • apoiar e estimular a criatividade;
  • estar aberto às críticas de clientes e dos funcionários;
  • demonstrar atitude de implantação de melhorias;
  • valorizar as ideias, mesmo que não sejam implantadas;
  • querer, efetivamente, entregar mais valor aos consumidores;
  • não se acomodar;
  • reduzir o impacto e a pressão das hierarquias;
  • proporcionar interações entre equipes para troca e registro de aprendizados;
  • gerar desafios às equipes;
  • oferecer tempo para o aprendizado, discussões, desenvolvimento e testes;
  • aceitar riscos;
  • prezar por um ambiente de trabalho aberto, colaborativo e envolvente.

Além de tudo isso, também é importante que a empresa seja “market oriented”, ou seja, que tenha foco total no mercado (clientes, consumidores, concorrentes e contexto – ambientes) e queira lucrar a partir da superação das expectativas dos clientes.

3) Esteja aberto a problemas e oportunidades

Esse aspecto está inserido na cultura corporativa ideal, mas como é importante, merece destaque, assim como alguns dos próximos itens.

O brasileiro não gosta de críticas, e basta ele perceber que está sendo criticado para começar a justificar, ao invés de buscar melhoria. Por isso é importante desenvolver essa cultura de estar aberto às críticas, analisá-las e agir (implantar soluções ou dar devolutiva).

Muitos funcionários não se sentem à vontade para criticar, ou sabem que as críticas de clientes não serão ouvidas (muitas vezes as regras das empresas são mais importantes que os clientes), e muitas empresas não pensam nos clientes para definir suas políticas, criando-se então o círculo vicioso do “eu finjo que quero ajudar, e você, empresa, finge que quer melhorar”.

“Eu queria que meus funcionários trouxessem erros novos” (Flávio Arruda, diretor de operações e fundador da Techs TI.

Se aprofunde na análise de causas dos erros, estude sobre o “diagrama de causa e efeito” e a técnica dos “5 Porquês do problema acontecer”.

ideias inovadoras para empresas

4) Estimule os funcionários

Os funcionários são grandes fontes de ideias inovadoras para empresas e estão em contato com os clientes, sendo de grande valia para a evolução de diversos aspectos que podem ser inovações, e trazendo resultados efetivos.

O Google, por exemplo, não estabelece uma hierarquia rígida em projetos que podem virar inovação.

Além disso, qualquer funcionário pode dedicar até 20% do seu tempo para o desenvolvimento de algo, mesmo que não haja confirmação de viabilidade financeira.

Estimule a equipe a pensar e discutir melhorias, como em sessões de brainstorm ou análise de problemas, e encoraje ideias ousadas, o pensamento em outros negócios, e crie um banco-de-dados de possibilidades.

 

5) Conheça muito bem seus consumidores

Podemos ir além e tornar a empresa “market oriented”, ou seja, tudo deve ser pensado para agradar o consumidor, sem, contudo, prejudicar a empresa.

E isso demanda um amplo conhecimento do consumidor e que todos os processos e políticas estejam focados em simplificar e agregar valor ao cliente.

A grande maioria das empresas com que já tive contato não conhecem efetivamente seus consumidores.

Elas dizem que conhecem, mas fazem um descritivo genérico e demográfico, negligenciando as crenças, atitudes e comportamentos. É importante entender o uso do produto, como compram, porque compram, quem são os influenciadores, qual o impacto social que esse produto causa, entre outros aspectos.

“As pessoas se movimentam para buscar o prazer ou fugir da dor” (Sigmund Freud).

 

6) Queira ser melhor que os concorrentes

A Apple não foi a primeira a entrar no mercado de smartphones, mas fez uma ampla análise dos concorrentes e, principalmente, do uso e das atitudes dos consumidores.

O Iphone, ao ser lançado em 2007, foi na contramão da concorrência, e entregou muito mais valor e funcionalidades que todos os outros.

Essa é uma ótima referência, ou seja, você não deve copiar a concorrência, mas fazê-la contar o que está deixando de entregar aos consumidores.

 

7) Queira agregar valor e solucionar o problemas dos clientes

Novamente podemos usar como exemplo o Iphone.

Ao usar meu primeiro aparelho da Apple, fiquei assustado com as diversas funções que eu tinha dificuldade em utilizar no smartphone “tradicional”, mas que no Iphone eu usava com muita facilidade, tais como: jogar, ler documentos e acessar a internet.

Mas veja, o Iphone não entrega apenas funcionalidades tangíveis, ele está repleto de valores emocionais, intangíveis, que geram fidelidade, aspiração e desejo.

 

8) Leve a ideia para passear

Trocar informações, analisar a realidade de outras pessoas ou profissionais, olhar para o invento sob outras óticas, trazer opiniões diferentes, entre outros, são alguns caminhos que podem ser adotados para analisar problemas, discutir o conceito de um invento, apresentar o protótipo para necessidades diferentes ou até para testar uma inovação.

O princípio é simples, a partir do momento que você se abre para ouvir outras realidades e coloca seu invento para ser analisado sob um olhar diferente do seu, novas portas podem se abrir.

Esse foi o caso do Post-it, que ficou parado por anos, como um invento que não tinha uma aplicação de mercado, e somente após analisar a necessidade dos músicos de um coral, que precisavam fixar folhas sem prendê-las totalmente e sem a possibilidade da cola danificar o papel, que o Post-it ganhou um uso de mercado, sendo, posteriormente, posicionado como um lembrete, fixador ou marcador, cola e descola, para uso nos escritórios e escolas.

O professor Kevin Dunbar, da University of Toronto, especializado em psicologia e em ciência, buscou saber como as ideias são geradas.

Em um laboratório filmou tudo o que acontecia, uma abordagem do tipo “reality show”, e registrou cada detalhe, desde o que havia sobre a mesa de experimentos até como se preparava o café.

Ao fim, ele concluiu que as ideias importantes não nascem no microscópio, mas sim quando o pesquisador fala com os colegas pesquisadores que estão próximos.

9) Desenvolva fontes de informações e ideias inovadoras para empresas

Sua empresa, para ser inovadora, precisa continuamente estar olhando para o mercado e buscar tendências de tecnologia, usos, comportamentos, modelos de negócios, processos, entre outros, que possam indicar caminhos para desenvolver ideias inovadoras para empresas.

“As empresas inovadoras geralmente recorrem a uma combinação de diferentes fontes de tecnologia, informação e conhecimento, tanto de origem interna quanto externa” (TIGRE, 2006, p. 93).

Especificamente no Brasil, as fontes de informação para inovação mais utilizadas pelas empresas industriais são as redes de informação informatizadas (68,8%), clientes (68,2%) e fornecedores (65,7%) (IBGE, 2010).

Para fugir do lugar comum do mercado, o laboratório paulista Cristália destina 4,5% de sua receita anual à pesquisa de novos fármacos, e fez parcerias com 22 faculdades e centros de pesquisa públicos.

Através disso conseguiu se destacar como uma das empresas mais inovadoras do país, e de seus laboratórios já saíram 54 patentes, incluindo os anestésicos “Sevocris” e “Ketamin”, que possuem registro nos mercados americano e europeu.

“A academia tem boas ideias, e nós temos a capacidade de transformá-las em produtos”, diz Ogari Pacheco, presidente do Cristália.

Sua empresa pode considerar usar as seguintes fontes de informações e inovações:

  • Colaboradores;
  • Feiras e eventos;
  • Clientes e consumidores;
  • Visitas ao mercado nacional e internacional;
  • Fornecedores;
  • Universidades.

10) Faça protótipos: erre barato e rápido. Abra novos caminhos.

Essa é uma premissa relativamente jovem no mundo das inovações, que visa reduzir o tempo de desenvolvimento e rapidamente testar o produto na “mão do consumidor”.

Quando se fala de ideias inovadoras para empresas e sobre a cabeça do consumidor, muitos elementos não são previsíveis e nem são possíveis de se analisar apenas com pesquisas, pois muitas delas medem o que se pensa e não se, efetivamente, o comportamento será realizado.

É mais ou menos assim:

PERGUNTA: Você pagaria 150% a mais por um smartphone muito maior que o da concorrência?

RESPOSTA: Não! De jeito algum. As marcas estão fazendo smartphone menores.

PERGUNTA: Mas, e se o smartphone fosse muito melhor nas suas funções, trouxesse grandes simplificações no uso e ainda agregasse muito para sua autoestima, status e imagem social, por ser da valorizada marca Apple?

RESPOSTA: Opa, agora parece que estou mais propenso ao comportamento de comprar.

Então, com o produto (protótipo –MVP mínimo produto viável) nas mãos do consumidor, é possível medir e analisar as reações reais e se a compra será efetivada. Além disso, os testes são uma alternativa mais efetiva para se trazer melhorias ao projeto.

11) Use metodologias

Ideias inovadoras para empresas não condiz com a imagem de um cientista solitário em um laboratório bagunçado que, de repente, descobre algo.

O processo de inovação precisa de liberdade, imaginação e criatividade, mas também demanda processos e atividades estruturadas para favorecer a obtenção de resultados favoráveis, ou até permitir a correção das estratégias adotadas. Por isso é fundamental que a empresa se parametrize com o uso de métodos que auxiliem na busca da inovação.

Já foi falado anteriormente sobre métodos para analisar e identificar problemas, e além deles também há metodologias específicas para orientar o processo de inovar, como, por exemplo, o “Design Thinking”, o “Stage Gate” e, posteriormente, o uso de “Business Model Generation” (“Canvas”) para colocar a inovação como um modelo de negócio viável.

A WORKING BETTER apresenta todos esses modelos e os sistematiza em um conjunto harmônico.

Sem o uso de um método, ou seja, uma receita, um guia, a tendência da sua empresa jogar dinheiro e tempo fora é imensa.

Aqui, talvez, esteja a grande diferença entre as PMEs (pequenas e médias empresas) e as grandes empresas, pois essas últimas utilizam metodologias, buscam informações de qualidade e têm um pouco mais de recursos para errar e continuar buscando ideias inovadoras para empresas.

12) Não aceite limitações

Faz parte da essência do ser humano buscar a zona de conforto, e para isso ele cria limitações e problemas no processo de mudar ou buscar algo para poder ficar, de forma justificada, na situação habitual que lhe traz conforto.

Os engenheiros da Apple não recomendaram o pedido de Steve Jobs de criar um celular praticamente sem botão.

E veja, essa ideia confrontava o padrão do smartphone da época, que tinha muitos botões.

O Iphone superou essa limitação e construiu um novo modelo, que é muito mais adequado aos usos de um smartphone.

A Apple não era tão eficiente para produzir telas de touch-screen, e novamente a zona de conforto (padrão de mercado = o que os concorrentes fazem e o que os consumidores esperam) não exigia essa tela.

Mas como esse item era essencial para a dinâmica de uso dos clientes de smartphone, a empresa desenvolveu essa competência, comprando uma especialista de mercado.

Claro, com dinheiro em caixa fica mais fácil, mas a questão primordial é que a Apple enfrentou e superou as limitações, não aceitando as zonas de conforto preexistentes.

A inovação está diretamente ligada ao objetivo de trazer ou aumentar o valor (não financeiro) para clientes e mercado, e assim gerar riquezas (aos acionistas) por meio do bem-sucedido atendimento às necessidades do consumidor.

Dessa forma, a inovação não está necessariamente restrita à utilização de novos conhecimentos obtidos pela pesquisa, mas sim ao desenvolvimento de novos produtos ou serviços que são obtidos com a utilização criativa de conhecimentos, sejam eles novos ou já conhecidos.

 

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