Já motivou sua equipe hoje? 10 dicas para seu time trabalhar melhor

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Neste artigo você vai aprender como motivar uma equipe com 10 dicas. 

Em 2009 e 2010, o PIB da Espanha caiu vertiginosamente, enquanto o faturamento da Mercadona, a maior rede de supermercados do país, crescia.

Seu fundador, Juan Roig, reforça: “nossa meta é ter clientes fixos. Para isso, é preciso ter funcionários e fornecedores fixos também”. Essa empresa apresenta um foco bastante voltado ao ser humano, e sabe bem como motivar uma equipe.

Quando falamos de motivação estamos falando de ser humano, então podemos correlacionar esses fatores com a geração de lucro nas organizações.

É isso mesmo, as empresas são formadas por processos e pessoas, então, se você faz os funcionários executarem com satisfação os processos, o potencial de retorno é imenso.

Mas o tema motivação não é simples, e continua sendo aprimorado por gestores, psicólogos, mercadólogos, sociólogos, entre outros, que entendem a importância que a equipe tem para a entrega de valor das empresas.

Mas, o que é motivação? Como motivar uma equipe?

“Motivação” é uma característica do ser humano que significa desenvolver interesse ou um motivo pessoalmente importante para justificar a realização de algo, ou seja, é o “motivo para agir”.

E claro, esse fator é pessoal, é intrínseco, não se cria ou inventa uma motivação, ela deve fazer sentido para o receptor dessa proposta, podendo variar de pessoa para pessoa, uma vez que está ligada às crenças, atitudes, histórico e às características das pessoas.

No ambiente corporativo pode-se diferenciar “motivação” de “incentivo”.

Entende-se que incentivo é um estímulo pontual e temporário que, claro, gera motivação, principalmente para proporcionar um esforço adicional da equipe. São os conhecidos “programas de incentivo”, muito usados nas forças de vendas.

Agora, motivação, nesse contexto, pode ser classificada como a satisfação geral que o funcionário tem para trabalhar.

Manter os funcionários motivados é essencial para que uma pequena empresa seja competitiva no mercado, já que, de acordo com Daniel Palácio, consultor do Sebrae-SP, “quem realiza o trabalho é a equipe que está na linha de frente e tem contato direto com o seu cliente”.

Segundo Frederick Herzberg, psicólogo americano considerado um dos nomes mais influentes na gestão empresarial, “a prevenção da insatisfação é tão importante quanto o incentivo de satisfação”.

Para Eduardo Carmello, diretor da Entheusiasmos Consultoria, muitas vezes o empreendedor confunde motivação com alegria, “ele pensa que precisa ‘dar um gás’ na equipe. Em vez de analisar profundamente, recorre às práticas de curta duração, mas que não vão engajar a equipe”.

O enfoque dado à motivação nesse artigo não será para aspectos físicos (iluminação e equipamentos adequados e necessários, por exemplo), embora seja um ponto muito relevante, mas para a relação interpessoal, a ser discutido nas 10 dicas a seguir.

1) Fale com seus colaboradores

Conte suas estratégias, justifique as decisões, explique os caminhos que a empresa percorrerá.

É muito comum que o funcionário, sozinho, não entenda as decisões da empresa e, por causa disso fique inseguro ou insatisfeito, por isso é bom que a equipe saiba por onde andar.

Essa clareza sobre o plano e os objetivos da empresa facilitam o dia a dia dos colaboradores.

NÃO DÊ PAUTA PARA A “RÁDIO PEÃO”.

O líder deve sempre se comunicar com a equipe, evitando que mal-entendidos sejam espalhados, com ênfase negativa, entre os funcionários e contamine o moral de todos. É muito comum que notícias e boatos se espalhem rapidamente, por conta disso o gestor deve evitar que esse canal seja ativado.

A empresa pode evitar desgastes desnecessários com esse cuidado simples.

ORIENTE E ACOMPANHE.

Apoie os funcionários e ajude-os a conquistar uma performance melhor.

Embora as métricas sejam importantes, já que elas orientam as ações e comportamentos, elas também podem ser prejudiciais, massacrando o funcionário com baixo e não fornecendo suporte para sua melhoria…

A interação e o cuidado do gestor, nesse contexto, pode salvar o ânimo e a disposição do colaborador.

CUIDE DO CLIMA ORGANIZACIONAL.

Um gestor ou um empreendedor que esteja habitualmente conversando com a equipe e se preocupando em ajudar, tende a favorecer a harmonia e manter um bom clima organizacional.

Se o colaborador gosta do local onde está, provavelmente vai trabalhar com mais satisfação.

2) Ouça seus funcionários

Dê valor às ideias e opiniões dos seus funcionários e saiba o que os está incomodando.

O fato de ouvir alguém passa a ideia de compromisso, de que haverá melhorias. Ouvir alguém significa que se importa, que valoriza quem fala.

A partir disso, muito provavelmente, a empresa descobrirá oportunidades de melhorias, e ao dar retorno (feedback), pode conquistar a gratidão do colaborador ouvido.

Já que as reclamações e incômodos se acumulam nas pessoas, e caso não sejam tratados e sanados, podem crescer exponencialmente e criar uma condição de insatisfação insolúvel, podendo até contaminar os demais membros da equipe.

3) Reconheça, celebre, premie e desafie

O ser humano é carente e gosta de ser reconhecido.

Cientistas mostram que estímulos positivos funcionam muito bem para gerar satisfação e reforçar o comportamento premiado.

Outro ponto, ao reconhecer um bom trabalho, é que o gestor dê ênfase, tanto para o que é bom, quanto para o que é ruim.

Tenha sempre em mente que é importante: começar uma conversa com os aspectos positivos, destacando as boas atuações do colaborador, ter momentos de celebrar conquistas, criando um círculo virtuoso; e pensar em prêmios, mesmo que pequenos, que possam ratificar bons comportamentos, tornando-os exemplos a serem seguidos.

Mantenha o clima de “alto astral”, como líder você tem a missão de criar um ambiente de trabalho perfeito para o sucesso.

Por esse motivo, é fundamental que você seja positivo e transmita uma visão otimista para os liderados, assim, os profissionais terão motivos para acreditar que vão superar os obstáculos e obter os melhores resultados.

“O trabalho deveria ter desafio suficiente para utilizar a capacidade total do empregado”. (Frederick Herzberg)

4) Cuidado ao criticar e expor o colaborador

Os povos latinos não lidam bem com críticas, ainda mais se forem tecidas na presença de outras pessoas, pois além de se sentirem machucados, a exposição social degradante aumenta em muito o desconforto, a insatisfação e até a revolta, fazendo com que o colaborador se sinta vítima e não identifique os pontos a serem melhorados. Por isso critique em particular e elogie em grupo.

Elogie antes de criticar, e critique a falta de ação e não a pessoa.

Cuidado com expressões muito generalistas como “tudo uma bagunça” e “não vi nada de bom”.

Lembre-se: quem bate nem sempre se lembrará do porquê, mas quem apanha nunca se esquece.

O gestor não quer criticar, ele quer melhorar a operação, então, uma crítica mal interpretada pode surtir efeitos ruins, se espalhando, inclusive, para outros colaboradores.

5) Saiba que o colaborador é uma pessoa. E torne-se uma família.

Não é fácil separar a pessoa física da jurídica.

O ideal é que o trabalho seja um momento bacana e assim, deve estar totalmente alinhado às expectativas e necessidades pessoais.

Muitas empresas, com a intenção de que seus funcionários se sintam motivados, se esforçam em entender e ajuda-los a resolver problemas pessoais, tais como: viabilizar transportes, oferecer creches e academias, apoiar a alimentação saudável, etc.

Um exemplo disso são as empresas japonesas, que estão apoiando os funcionários que querem parar de fumar através de um programa formal, onde quem alcançar a meta de abstinência pode ter um aumento nos dias de férias.

“Um funcionário que recebe afeto e atenção na empresa vai dar afeto e atenção ao cliente. Capitalismo combina, sim, com felicidade”

É o que diz Pedro Salomão, fundador da Rádio Ibiza, que tem como missão espalhar a felicidade. De acordo com a reportagem da Revista Exame, “Pedro, sempre com um sorrisão estampado no rosto, abraça e beija todos os seus cinquenta funcionários”.

“Logo no hall de entrada, estão estampados os três valores da empresa: I – Ser feliz; II – Fazer o outro feliz; III – Sem os dois mandamentos anteriores, nada tem importância. Em vez de catracas, baias e carpete, há um quintal com jardim usado para reuniões (e churrascos) e banheiros com chuveiro para quem quiser dar um mergulho na praia e depois tomar uma ducha”.

“Para as novas gerações, conhecidas como Y e Z, o trabalho deve ser lugar de satisfação. O futuro, portanto, não pertence ao patrão, mas sim ao líder, um papel que profissionais como Pedrinho incorporam muito bem, ao se colocar no mesmo patamar, dialogar e entender as necessidades do outro”, explica Gleiner Costa, professor da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da UFRJ”. (Fonte: Portal Revista Exame, por Daniela Pessoa, 2 de junho de 2017).

6) Tenha um propósito e valores que envolvam seu time

Em 2013, uma pesquisa nacional da PUC-RS apontava que 48% dos jovens em idade pré-vestibular priorizava a felicidade no trabalho, enquanto 34% buscava ganhar bem.

Com a crise econômica do Brasil em 2015 e 2016, o número de jovens idealistas diminuiu, mas não reduziu a importância da queda do paradigma de que o objetivo do emprego é só o salário.

Além dos jovens, muitos executivos estão trocando grandes empresas pelo desafio das “startups”.

Cada vez mais pessoas, e até os consumidores, buscam empresas que tenham motivos de existir e valor que transcendam as questões financeiras, burocráticas ou transacionais.

O objetivo dos funcionários da Apple Store, por exemplo, é “enriquecer vidas” ao prestar um atendimento consultivo e apresentar todo o potencial de soluções da empresa, de forma adequada, a cada necessidade.

Isso é muito mais motivador do que ser apenas vendedor.

Não tenha pessoas que trabalham pelo seu dinheiro, mas sim pelo seu ideal, pelo valor que você entrega ao mundo. Mostre que o trabalho é importante. Enquanto o funcionário sentir que ganha mais que o salário, o envolvimento dele estará acima de questões financeiras, meramente racionais e de fácil comparação com outros empregadores.

A Zappos, e-commerce americano de calçados que foi comprado pela Amazon por 1,2 bilhões de dólares, costuma dizer: “somos uma empresa de serviços que aconteceu de vender calçados”. Eles têm uma filosofia corporativa baseada em aspectos como: entregue um “UAU” através dos serviços; crie diversão e um pouco de maluquice; crie relacionamentos abertos e honestos através da comunicação; crie um time positivo e um espírito de família; seja apaixonado e determinado; seja humilde; etc.

O Google tem valores que ajudam a nortear o comportamento dos times, como: não faça o mal; atue rapidamente; organize e disponibilize as informações do mundo; e facilite a vida dos usuários.

Veja outros exemplos de valores corporativos aqui.

7) Contrate bem e estimule quem quer ficar

A Zappos tem um estilo de gestão muito além do ousado.

Dentre as muitas ações, uma das mais conhecidas é a oferta de US$2 mil que Tony Hsieh, um dos fundadores, faz a novos funcionários depois de treiná-los por um mês, para que ele abandone o emprego.

Isso não só testa a fidelidade do recém-contratado, como economiza dinheiro, já que quem aceita a proposta não se encaixaria na cultura Zappos, que é um dos maiores ativos da empresa.

Contrate a pessoa e treine as habilidades que for preciso. na prática, você vai conviver com uma pessoa que desenvolve atividades profissionais, está disposta a ficar na empresa e a defender seus valores corporativos.

8) Treine, isso dará segurança e conforto

Fazer o trabalho corretamente e trazer bons resultados para a empresa é um grande motivador.

Um funcionário perdido, sem orientação e sem saber como fazer algo, estará em situação de estresse e potencial conflito com seu gestor.

Um bom programa de treinamento garante a efetividade de outras dicas citadas anteriormente e pode ajudar a empresa, além de conquistar resultados positivos, a fortalecer diferenciais, valores e propósitos.

9) Tenha método de atuação, modelos e boas práticas

Uma empresa que não dá resultados, que executa mal suas atividades e que trabalha com incerteza e insegurança nunca será feliz e rentável.

É muito importante que ela estabeleça a forma correta de trabalhar, permitindo até que a equipe evolua o modelo.

A cozinheira segue uma receita, o médico um protocolo, o personal trainer um programa, mas muitas empresas ainda trabalham sem um parâmetro claro do que é uma boa execução.

Métodos são como os mapas que detalham bem o caminho a percorrer as e demandas intercorrentes, e isso ajuda muito a sua equipe a ter mais tranquilidade no dia a dia, e potencialmente conquistar mais resultados.

10) Crie projetos, metas envolventes e dê sentido ao dia a dia

Imagine situações prazerosas, como uma viagem de férias, de Réveillon ou de Carnaval.

Agora imagine que esses eventos aconteçam toda semana. Provavelmente perderão a graça e se tornarão cansativos. Agora leve esse raciocínio para o trabalho, se for sempre a mesma coisa, será enfadonho.

O Magazine Luiza criava “bordões estratégicos” para definir um período de incentivos, treinamentos e metas para seus vendedores, como por exemplo “o cliente é o rei” onde gerava premiações para bons atendimentos.

Simplifique as conquistas e mostre as metas para alcançar os objetivos, muitas vezes os funcionários não entendem as metas e as tarefas e, por isso criticam e se voltam contra a organização.

O “Atualize Já” foi outra ação criada pelo varejista, com a intenção de motivar os vendedores a preencherem o CRM com os dados do cliente que pagava à vista.

Dessa forma, a empresa criou um projeto com nome, prêmios e, principalmente, mostrava que a atividade do vendedor não era uma burocracia vazia, mas ajudava muitos departamentos, além de ter grande potencial para trazer receita de vendas.

A adesão à ideia foi um sucesso, e ninguém preciso dizer que era uma “ordem superior” ou que era “obrigação” do vendedor.

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